Depois de três épocas ao serviço do Grupo Desportivo do Cachão — como Diretor Desportivo, Tesoureiro e, por fim, Presidente — chegou o momento de entregar a pasta e abrir um novo capítulo. Fica aqui o registo de um percurso que fizemos juntos, e que tive o privilégio de liderar.
Época 2022/23 — O início
Chegámos ao clube com uma missão simples: reforçar a equipa e devolver competitividade ao Cachão. Trouxemos quatro jogadores nessa primeira época. Um deles viria a sagrar-se campeão distrital, já pelas cores do SC Mirandela — prova de que o trabalho de identificação de talento, feito ainda em casa, tinha valor real.
Época 2023/24 — Os Seniores voltam a jogar
O momento de que mais nos orgulhamos: depois de 31 anos de ausência, reativámos a equipa Sénior do GD Cachão. Os domingos voltaram a ter futebol na aldeia. Não foi só uma decisão desportiva — foi devolver ao Cachão e à sua gente algo que lhes tinha sido tirado há três décadas.
Época 2024/25 — Ordem na casa
Assumi a Tesouraria com um objetivo claro, e com o apoio da direção: pôr as contas do clube em dia. Retomámos o controlo financeiro, saldámos dívidas de curto prazo e fechámos acordos com credores que se arrastavam há anos. Um clube só compete com liberdade quando não está refém do passado financeiro.
Época 2025/26 — A Presidência
Assumi a presidência com as bases já mais firmes, e fomos mais longe, com toda a estrutura do clube envolvida:
- Comprámos uma carrinha de 9 lugares para o clube — mobilidade própria, sem depender de terceiros.
- Deixámos o clube com dinheiro em caixa, capaz de fazer face às dívidas correntes junto da associação.
- Vivemos o inédito avanço às quartas de final da Taça Nacional de Futebol de Praia, que trouxe ao clube um encaixe financeiro relevante e visibilidade que nunca tínhamos tido nessa modalidade.
- Conquistámos a certificação de Entidade Formadora da FPF — um estatuto que reconhece formalmente o trabalho de formação do Cachão e que já está a dar frutos: é a base legal que nos permite reclamar a compensação de formação do jogador Francisco Lino Borges, que assinou contrato profissional com o Chaves.
E, acima de tudo, o trabalho de base deu o que tinha a dar em campo: jogadores formados no Cachão saíram para competir em patamares que este clube nunca tinha alcançado — Divisão de Honra, Taça de Portugal, competições nacionais de sub-19, e clubes em Itália. Nomes como João Bicalho, Bruno Mello, Micael Araújo, Kauã Alves, Gabriel Castro, Lucas Tadeu, Vinícius Paixão e Fabrício Almeida passaram por aqui e levaram o nome do Cachão mais longe.











Obrigado
A todos os dirigentes, treinadores, atletas, famílias e sócios que caminharam ao meu lado — o nosso obrigado sincero. Nada disto se fez sozinho. Um clube não se constrói com um cargo, constrói-se com gente que acredita. O Cachão é maior do que qualquer presidência, e vai continuar a crescer.
Fecho este ciclo de cabeça erguida e com gratidão a quem tornou tudo isto possível. E abro-me, com a mesma paixão, a um novo desafio que já está a nascer.
Sempre Cachão.